Reflexão 1...


Apesar do amor que nutro pelos meus, sinto que ele já não basta para acalmar a dor das minhas limitações. Caminhei por muitos lugares, mas a liberdade de caminhar já não me pertence; apenas sinto o frio do vento na janela e o calor que acaricia em dias de sol.

Ainda assim, atravesso um período de tempestades, dias nublados que roubam minhas forças. Entre lágrimas e o peso da consumição, apenas existo, automático, sem sentir o toque das pessoas. A vida se tornou um quarto onde a luz se apaga com a noite e se acende com o dia, mas já não entendo o porquê de despertar.

Neste quarto escuro, procuro reunir alguma energia que faça brotar algo dentro de mim. Vivo em uma penitência eterna, rezando para que um ponto de luz surja no horizonte.

Dentro de mim havia uma esperança, uma chama tênue que alimentei com os sonhos de uma vida inteira. Mas a vida, com seu jeito impiedoso, me deu uma rasteira, e a verdade crua se revelou: jamais haverá um "nós".

Desde pequenos, nossos olhares se encontravam, e nessa troca silenciosa, algo profundo se formou. Mas, de alguma forma, a vida nos fez desencontrar, e eu me pergunto, onde você foi?

Por que me abandonou, por que me trocou? A dor era aguda, mas ergui minha cabeça, olhei para o horizonte e entendi: Que preciso olhar para mim e ninguém é mais importante do que eu.

Preciso ser feliz consigo, pois ninguém me entenderá melhor. Perder-se em devaneios sobre outras vidas poderá me derrubar, então se pergunte: Você já não aprendeu essa lição?

Nunca será como imaginamos, cada um seguirá seu caminho, e no trajeto, encontrará tempestades, muitas tempestades. Mas ressignifique essas dores, deixe que cicatrizem, e olhe para elas como aprendiz. Pode ser difícil, mas encare, um dia de cada vez.

Escute a música da felicidade, como um cosmo ardente, queima e percorre, vibrando como uma única onda,  ressoando em seu ser.  

Essa melodia pode tocar o mais profundo do seu coração,  pois é uma explosão de átomos,  dançando nas células,  desencadeando uma euforia incontrolável em seu corpo.  

Você pode marchar o dia inteiro,  bater continência, seguir ordens, mas lembre-se: a energia que flui nas tuas veias é livre, indomável, como o vento que sopra sem destino.  

Apenas sinta a brisa suave acariciado sua pele,  o desejo ardente da liberdade preenchendo cada espaço com alegrias, tomando conta de você, como uma chama que nunca se apaga.

Atenciosamente,
Rossana Lopes Lubas

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